Exegese de Tito 2:11-14
Sumário
2. Confirmando
os limites da passagem
3. Dominando
a perícope em estudo
4. Analisando
a estrutura das frases e as relações sintáticas
7. Analisando
Palavras Significativas
8. Contexto
Histórico-Cultural em Geral
9. Determinando
as Características Formais da Epístola
10. Examinando
o Contexto Histórico em Particular
11. Determinando
o Contexto Literário
12. Considerando
os contextos bíblicos e teológicos mais amplos
1.
Introdução[1]
A epístola de Paulo
a Tito faz parte, juntamente com 1ª e 2ª Timóteo, das cartas Pastorais, termo
que, segundo Kelly, fora cunhado e utilizado com referência a essas três
cartas “desde o início do século XVIII, porque estão endereçadas a pastores e,
em grande medida, dizem respeito aos deveres deles.”
Com relação a data das epístolas pastorais, bem como a
diferença perceptível dos assuntos em pauta nas pastorais com relação as demais
cartas paulinas, Bruce afirma que “é possível datar as epístolas pastorais por
cerca de 63-64 d.C. E a mudança do Estado de coisas testemunhada pelas igrejas
Paulinas teria ocorrido em parte pela oportunidade que o primeiro
aprisionamento de Paulo proporcionou a seus adversários nessas igrejas”
Até onde podemos investigar, Tito era provavelmente mais
velho do que Timóteo (Tt 2:15). Ele também, de acordo com Fee, “parece ter tido
um temperamento mais forte.
Conforme o Dicionário Bíblico Wycliffe, Creta era “a quarta
maior ilha do Mediterrâneo. Localizada a aproximadamente 100 quilômetros ao sul
do Cabo Málea no Peloponeso e 180 quilômetros a oeste do cabo Krio na Ásia
Menor, Creta se tornou um centro de distribuição e o berço das culturas do
Oriente Próximo do quarto até o primeiro milênio a.C, compreendendo uma área de
aprox. 8200 km².”
Sejam tais conceitos idiossincráticos verdadeiros ou não,
alguns estudiosos do Novo Testamento tenderam a vincular os problemas
teológicos dos cretenses aos seus traços de personalidade. Segundo Tenney, “as
perturbações em Creta tinham sido causadas pelo relaxamento moral resultante
das tendencias naturais dos cretenses”
A tradição reconhece a ligação entre Tito e a(s) Igreja(s)
em Creta. Segundo Becker “a igreja antiga venerava-o como missionário e
primeiro bispo de Creta.”
Fica claramente perceptível pela leitura da própria carta,
que Paulo foi seu autor, e, como praticamente sempre, o mesmo escreveu a
presenta carta para enfrentar uma situação imediata. Refletindo sua situação
geográfica, aquela igreja era, segundo Barclay, “uma ilha num mar de paganismo”
A epístola de Paulo a Tito inicia-se com uma saudação, contendo
uma descrição da missão de Tito seguida pela descrição dessa missão (1:1-5).
Após isso Paulo demonstra a Tito o caráter dos líderes que Tito deve
estabelecer em cada igreja (1:6-16); após isso Paulo apresenta qual deve ser o
caráter da pregação de Tito (2:1 – 3:11) seguindo com saudações finais comuns
em todas as epistolas paulinas (3:12-15)
2. Confirmando os limites da passagem
A passagem sujeita à análise exegética será Tito 2:11-14. O
versículo 15 não foi incluída na perícope a ser estudada, por que pensamos que
o mesmo faz parte de um inclúsio (i. e., “moldura textual”) juntamente
com o versículo 1. Segundo J. Kõstenberger e Richard D. Patterson:
“Há uma técnica
de composição literária semítica que é importante conhecer. O autor muitas
vezes ordena o material de tal modo que, no final na narrativa, retorna a um
tema, assunto ou palavras que mencionou no início. Essa técnica é conhecida
por nomes como “emolduramento” (inglês, bookending) ou inclúsio. Além
disso, J. T. Walsh observa que as subunidades dos registros (narrações)
narrativos históricos podem ser organizadas simetricamente como sequências
paralelas ou de tal maneira que a atenção se volte para o centro da narração.”
Isso fica perceptível pela repetição do termo λάλει, verbo,
no tempo presente do imperativo na voz ativa, nos dois versículos (1,15). Dessa
forma, segundo Towner, “Devido à mudança na gramática e à linguagem elevada, o
leitor ou ouvinte saberá instintivamente que esta seção é crucial para o
discurso”
3. Dominando a perícope em estudo
3.1.
Tradução provisória
“Manifestou-se,
pois, a Graça de Deus, salvadora a todos os homens, que nos ensina a repudiar a
impiedade e os desejos que marcam essa era presente, e nos ensina a viver de
forma justa e piedosa nesse mundo de agora, enquanto aguardamos a abençoada esperança,
isto é, a manifestação gloriosa do grande Deus e nosso salvador Jesus Cristo, o
qual se deu a si mesmo por nós, para nos resgatar de toda iniquidade, além
disso, purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas
obras” Tt 2:11-14
3.2.
Lista
provisória de dificuldades exegéticas
i.
A expressão “πaσιν άνθρώποις” no versículo 11
poderia ser traduzida como “cada homem?”, ou, “cada pessoa?”.
ii.
A expressão do versículo 13, “την μακαρίαν
έλπίδα και έπιφάνειαν”, seria melhor traduzida como “a abençoada esperança e a
manifestação...” como duas expressões/apresentações distintas, ou seria melhor
traduzida como “a abençoada esperançam que é a manifestação...”, de forma que a
referência é a um e mesmo evento?
iii.
“έπιφάνειαν της δόξης” no versículo 13, seria
melhor traduzido como genitivo atributivo (manifestação gloriosa) de forma a
especificar um atributo ou qualidade inata dessa manifestação? Ou seria
apenas um genitivo descritivo?
iv.
Ainda no versículo 13, poderíamos aplicar a
regra de Granville-Sharp na expressão “έπιφάνειαν της δόξης του μεγάλου θεου
και σωτflρος ήμων Ίησου Χριστου”? Poderíamos, assim, acharmos aqui um
“texto-prova” a favor da deidade de Cristo e sua igualdade com Deus?
4. Analisando a estrutura das frases e as relações
sintáticas
4.1.
Fluxograma (Português)
a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos
os homens
Ela nos educa
para que,
vivamos neste
mundo
renegadas a
impiedade e as paixões mundanas,
sensata,
justa e
piedosa,
aguardando
a bendita esperança e
a manifestação
da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo
Ele deu a si
mesmo por nós, a fim de
nos remir de
toda iniquidade e
purificar, para
si mesmo, um povo
exclusivamente
seu,
dedicado à
prática de boas obras
4.2.
Fluxograma
(Grego)
Ἐπεφάνη ἡ χάρις τοῦ Θεοῦ σωτήριος πᾶσιν ἀνθρώποις
ἀρνησάμενοι τὴν ἀσέβειαν καὶ τὰς κοσμικὰς ἐπιθυμίας
ἐπιφάνειαν τῆς δόξης τοῦ μεγάλου Θεοῦ καὶ Σωτῆρος ἡμῶν Χριστοῦ Ἰησοῦ
ὃς ἔδωκεν ἑαυτὸν ὑπὲρ ἡμῶν ἵνα
λυτρώσηται ἡμᾶς ἀπὸ πάσης ἀνομίας καὶ
5. Estabelecendo o texto
Análise
De acordo com NA28, temos as seguintes variações em σωτήριος
(v.11), seguido pelo sinal ⌜ ou seja, palavra transmitida com
variantes.
i. σωτήριος (salvadora – Adjetivo/ Predicativo Nominativo) x2, A, C, D, 0278, 1739, vg5t, Cl
ii. σωτήρος
(da salvação – genitivo atributivo, i.e., salvadora) – א, t, vgmss
iii.
του σωτήρος ήμων (da nossa salvação) – F, G, ar, b, vg.cl.ww co; Lcf
iv.
ή σωτήριος (a salvadora) – (C3), D1, K,
L, P, Ψ, 33, 81, 104, 365, 630, 1241, 1505, 1881, M.
Segundo NA28, temos as seguintes variações em Ίησου Χριστου
(v.13), palavras dentro de ⸂ ⸃ isto é, palavras transmitidas com variantes.
i.
Ίησου Χριστου – (Jesus Cristo) – א (2), A, C, D, K, L, P, Ψ,
0278, 1739, 33, 81, 104, 365, 630, 1241, 1505, 1881, M, Lcf,
Ambst Epiph.
ii.
Χριστου Ίησου (Cristo Jesus) - א, F, G, b,
iii.
Ίησου (Jesus) – 1739
Devido a
grande quantidade de testemunhas textuais bem como a antiguidade dessas, principalmente
x2, A, C, D, (comum nas duas variantes em análise), entendemos, juntamente
como NA28 e USB5, a opção “i” nas duas questões supracitadas, como
representações do texto paulino autográfico.
6.
Análise Gramatical
11 Ἐπεφάνη γὰρ ἡ χάρις τοῦ θεοῦ σωτήριος πᾶσιν
ἀνθρώποις 12 παιδεύουσα ἡμᾶς, ἵνα ἀρνησάμενοι τὴν ἀσέβειαν καὶ τὰς κοσμικὰς
ἐπιθυμίας σωφρόνως καὶ δικαίως καὶ εὐσεβῶς ζήσωμεν ἐν τῷ νῦν αἰῶνι, 13
προσδεχόμενοι τὴν μακαρίαν ἐλπίδα καὶ ἐπιφάνειαν τῆς δόξης τοῦ μεγάλου θεοῦ καὶ
σωτῆρος ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ, 14 ὃς ἔδωκεν ἑαυτὸν ὑπὲρ ἡμῶν ἵνα λυτρώσηται ἡμᾶς
ἀπὸ πάσης ἀνομίας καὶ καθαρίσῃ ἑαυτῷ λαὸν περιούσιον, ζηλωτὴν καλῶν ἔργων. [3]
Versículo 11
Ἐπεφάνη – Verbo, Aoristo, passivo,
indicativo. O aoristo, "em suma,
apresenta uma ocorrência, vista de fora, em sua totalidade, sem considerar a
composição interna da ocorrência”
γὰρ – Conjunção. Segundo
Wallace, “a característica primária das conjunções é relacionar unidades de
pensamento entre si” (DW:667), nesse caso, Conjunção Inferencial; essa
conjunção liga a lista parenética anterior com a apresentação do caráter
educador da graça de Deus. “Esse uso oferece uma dedução, conclusão ou um
sumario à discussão precedente” (DW:673)
ἡ - artigo, nominativo, singular,
feminino. Esse é um Artigo com nomes Nominativos, o qual denota o Sujeito
(DW:242). O artigo está denotando o sujeito, χάρις, nesse caso, personificando
a Graça de Deus.
Χάρις – Substantivo, nominativo,
singular, feminino. Esse nominativo faz aqui a função de sujeito explicito da
oração.
τοῦ - artigo, genitivo, singular,
masculino. Esse é, provavelmente um artigo de simples identificação no genitivo
de possessão.
θεοῦ - Substantivo, genitivo,
singular, masculino. O substantivo no genitivo possui a coisa a qual está
relacionado. Isto é, de alguma forma o substantivo chave (nesse caso χάρις)
é possuído pelo substantivo no genitivo.
σωτήριος – Adjetivo, nominativo, singular, feminino. Adjetivo
ligado, normalmente, ao substantivo χάρις, caracterizando-o. A forma: artigo (ἡ),
nome (χάρις) e adjetivo (σωτήριος), forma a segunda posição predicativa, ou
seja, enuncia algo sobre o substantivo com a qual está ligado; dessa forma, aqui,
“a ênfase parece ser igualmente colocada no substantivo e adjetivo ou levemente
mais forte no substantivo.” (DW: 308).
πᾶσιν – Adjetivo, dativo,
plural, masculino. Adjetivo Positivo. Dativo de Referência, ou seja, com
referência a todos. Referenciando todos
os grupos elencados em 2:1-10. Segundo Robertson, este dativo com adjetivo “ocorre
naturalmente. Esses adjetivos, como os substantivos, têm um sabor distintamente
pessoal.”
ἀνθρώποις – substantivo, dativo, plural, masculino. Dativo
Depois de Certos Adjetivos. Alguns adjetivos (no caso, πᾶσιν e σωτήριος), são
seguidos pelo caso dativo. Mais uma vez, quando a ideia de interesse pessoal
aparecer, o dativo será usado. (DW:174)
Versículo 12
Παιδεύουσα – verbo, presente, ativo,
particípio, singular, nominativo, feminino. Relacionada à palavra Χάρις, predicando-a,
ou seja, a graça [que] ensina/educa. Com referência ao aspecto, o tempo
presente é interno, deforma que focaliza o desenvolvimento da ação. Assim, o
caráter pedagógico da Graça é progressivo, de forma que, essa ação é descrita
como estando em progresso, ou como acontecendo (DW: 516). Nesse caso temos um Presente
Stricto Sensu.
ἡμᾶς – pronome pessoal, primeira pessoa,
acusativo, plural. Temos aqui um "Nós" Inclusivo (DW:394), ou seja,
Paulo e seus leitores/ouvintes. Como
acusativo, indica o objeto imediato da ação do verbo Παιδεύουσα.
ἵνα – Conjunção. Trata-se de uma
conjunção subordinada, visto que une uma cláusula dependente a uma
independente ou a outra cláusula dependente, completando o sentido do verbo principal.
(DW:667). É, além disso, uma conjunção final, i.e., indica o propósito da ação
verbal (Παιδεύουσα).
ἀρνησάμενοι – verbo, aoristo, médio,
particípio, plural, nominativo, masculino. Como verbo aoristo, “apresenta
uma ocorrência, vista de fora, em sua totalidade, sem considerar a composição
interna da ocorrência" (Fanning:554). Esse é um Aoristo Proléptico
(Futurístico), ou seja, vê o “renegar” ou o “renunciar” como perfeito, do ponto
de vista do fim. Sendo particípio, tem o verbo ζήσωμεν (“vivamos”) como
principal, de tal forma, que a relação entre eles, segundo Wallace (DW:614) é
de simultaneidade (vida de renúncia e abnegação).
τὴν – artigo, acusativo, singular,
feminino. Artigo com Nomes abstrato, focalizando na qualidade (DW:226). Como
acusativo, identifica o objeto direto do verbo “ἀρνησάμενοι”.
ἀσέβειαν – substantivo, acusativo,
singular, feminino. Por ser acusativo, é o objeto direto de “ἀρνησάμενοι”.
καὶ - Conjunção. Identificada como
uma conjunção conectivas, continuativa ou coordenada, conecta um
elemento adicional complementando à sucessão do pensamento (DW:671). Além
disso, conecta uma série dupla envolvendo “ἀσέβειαν” e “κοσμικὰς
ἐπιθυμίας”
τὰς – artigo, acusativo, plural,
feminino. artigo, acusativo, singular, feminino. Artigo com nome abstrato,
focalizando na qualidade (DW:226). Como acusativo, identifica o objeto direto
do verbo “ἀρνησάμενοι” (verbo, aoristo, médio, particípio, plural, nominativo).
κοσμικὰς – adjetivo, acusativo, plural,
feminino. Como adjetivo, é dependente de um outro nome, logo é adjetival, ou
seja, modifica o substantivo seguinte, i.e., “ἐπιθυμίας”. Além disso, temos
aqui um uso normal do adjetivo positivo, visto não haver nenhum comentário
sobre qualquer objeto, senão sobre aquele que ele modifica. (DW:297).
ἐπιθυμίας
– substantivo, acusativo, plural, feminino. Relacionado ao substantivo
acusativo, singular, feminino, “ἀσέβειαν”, também relacionada ao verbo ἀρνησάμενοι.
τὰς κοσμικὰς ἐπιθυμίας
– Aqui temos uma construção Artigo-Adjetivo-Substantivo, nomeada de Primeira
Posição Atributiva, na qual "o adjetivo recebe maior ênfase que o
nome" (Robertson:776)
σωφρόνως καὶ δικαίως καὶ εὐσεβῶς – Advérbios. Esses três advérbios qualificam
o verbo “ζήσωμεν”, descrevendo o “Modo” de sua apresentação.
Assim, vivamos (ζήσωμεν), de forma sensata, justa e piedosa.
καὶ - Conjunção. Presente na oração como uma
conjunção que conecta os advérbios σωφρόνως, δικαίως e εὐσεβῶς.
Ζήσωμεν – verbo, aoristo, ativo, subjuntivo,
primeira pessoa, plural. Como subjuntivo, esse verbo denota potencialidade de
ação e intencionalidade volitiva, coincidindo com o imperativo. Mais
especificamente, um Subjuntivo Exortativo (Volitivo), usado para exortar a si
mesmo ou a alguém associado (DW:463 - 464). Como verbo aoristo, “apresenta
uma ocorrência, vista de fora, em sua totalidade, sem considerar a composição
interna da ocorrência" (Fanning:554), além disso, fora do indicativo e
particípio (como esse caso), o tempo cronológico não é um aspecto do aoristo.
(DW:555), ademais, é um Aoristo Constativo (Complexivo, Pontilear,
Compreensivo, Global), enfatizando o fato da ocorrência, não sua natureza.
ἐν – Preposição. Como sempre, vem acompanhado
do Dativo, que nesse caso é “τῷ νῦν αἰῶνι”, temos, assim, um uso
Temporal da preposição ἐν, entendido como: em, dentro de, quando,
enquanto, durante (DW:372), haja visto está relacionado à “Era Atual”
τῷ - Artigo, dativo, singular,
masculino. Artigo Monádico e Dêitico visto está identificando “A Era Atual”
como única e apresentando-a em contraste com a Era por vim, iniciada plenamente
com a vinda bendita de Cristo (v. 13).
νῦν – adjetivo. Temos aqui um
uso normal do adjetivo positivo, ou seja, “o adjetivo positivo não faz nenhum
comentário sobre qualquer objeto, senão sobre aquele que ele modifica” (DW:297),
além disso, τῷ νῦν αἰῶνι (construção Artigo-Adjetivo-Substantivo)
αἰῶνι – substantivo, dativo, singular, masculino.
Temos aqui ἐν + dativo com o sentido de Tempo. O substantivo
no dativo está descrevendo um período de tempo. Há aqui um contraste entre duas
eras ou séculos. A Presente (νῦν) e a futura era aguardada (προσδεχόμενοι).
Versículo 13
Προσδεχόμενοι – verbo, presente,
médio-passivo, particípio, plural, nominativo, masculino. Temos aqui um Presente
Progressivo que, segundo Wallace, é usado para descrever uma cena em
desenvolvimento (DW:518), sendo médio-passivo, dá a entender que, em vez de
sofrer a ação do verbo, são os praticantes da ação (em relação a si mesmo). Estando relacionado ao verbo Ζήσωμεν (aoristo,
ativo, subjuntivo), denota simultaneidade entre “viver” e “aguardar”.
τὴν – artigo,
acusativo, singular, feminino. Indica o objeto direto do verbo
nominativo “προσδεχόμενοι”, podemos classifica-lo como artigo Por Excelência.
Esse tipo de artigo é usado para apontar um substantivo que, em certo sentido,
é "uma classe em si". É o único conhecido pelo nome (DW:222).
Μακαρίαν – adjetivo, acusativo, singular, feminino. Uso
adjetival-normal do adjetivo, visto o mesmo está relacionado, unicamente, ao
substantivo ἐλπίδα caracterizando-o.
ἐλπίδα – substantivo, acusativo,
singular, feminino. Objeto direto do nominativo “προσδεχόμενοι”. O
substantivo ἐλπίδα é caracterizado pelo adjetivo que o precede, Μακαρίαν, o qual recebe ênfase visto termos
diante de nós a primeira posição atributiva.
τὴν μακαρίαν ἐλπίδα – Aqui
temos uma construção Artigo-Adjetivo-Substantivo, nomeada de Primeira
Posição Atributiva, na qual "o adjetivo recebe maior ênfase que o
nome" (Robertson:776)
καὶ - Conjunção, lógico
conectiva. Presente na oração como uma conjunção que conecta os substantivos ἐλπίδα
e ἐπιφάνειαν. Traz o sentido de sucessão de pensamento.
ἐπιφάνειαν – substantivo, acusativo, singular,
feminino. Objeto direto do nominativo “προσδεχόμενοι”.
τῆς – artigo, genitivo, singular, feminino. Artigo
com nome abstrato, focalizando a qualidade desse substantivo, no caso, “δόξης” (DW:226).
Como genitivo está diretamente conectado ao substantivo, também no genitivo, δόξης.
δόξης – substantivo, genitivo, singular,
feminino. Uso do genitivo adjetival (visto estar caracterizando “ἐπιφάνειαν”).
Dentre as várias subclasses do genitivo adjetival, δόξης parece melhor ser
definido como genitivo atributivo ou, Genitivo Hebraico, Genitivo de Qualidade.
Segundo Wallace, “o substantivo no genitivo (δόξης) especifica um atributo ou qualidade inata do substantivo
principal (ἐπιφάνειαν). É
semelhante a um simples adjetivo em sua força semântica, embora mais enfático”.
τοῦ - artigo, genitivo,
singular, masculino. Artigo com nome
abstrato, focalizando a qualidade desse substantivo, no caso, “θεοῦ” (DW:226). Como
genitivo está diretamente conectado ao substantivo, também no genitivo, θεοῦ.
μεγάλου – adjetivo,
genitivo, singular, masculino. adjetivo, acusativo, singular, feminino. Uso
adjetival-normal do adjetivo, visto o mesmo está relacionado, unicamente, ao
substantivo θεοῦ caracterizando-o
θεοῦ - Substantivo, genitivo,
singular, masculino. Em conexão com “μεγάλου”, temos aqui um Genitivo atribuído, no qual o
adjetivo (μεγάλου) funciona
como um atributo do termo no genitivo: Grandioso Deus.
καὶ - Conjunção, lógico
conectiva. Expressa a ideia de continuidade de pensamento e descrição. Conecta θεοῦ e Ἰησοῦ Χριστοῦ.
σωτῆρος - Substantivo, genitivo,
singular, masculino. Estamos diante de um Genitivo Atributivo ou Genitivo
Hebraico ou Genitivo de Qualidade, que, segundo Wallace, “especifica um
atributo ou qualidade inata do substantivo principal.”
ἡμῶν – pronome pessoal,
primeira pessoa, genitivo, plural. Temos aqui um "Nosso" Inclusivo
(DW:394), ou seja, Paulo e seus leitores/ouvintes.
Como genitivo indica a ideia de
Posse.
Ἰησοῦ Χριστοῦ - Substantivo, genitivo,
singular, masculino. Relacionado com “σωτῆρος”, temos aqui um Genitivo atribuído, no qual o
substantivo (σωτῆρος) funciona
como um adjetivo do termo no genitivo, Ἰησοῦ Χριστοῦ: Salvador Jesus Cristo.
τοῦ μεγάλου θεοῦ καὶ σωτῆρος ἡμῶν Ἰησοῦ
Χριστοῦ - Temos aqui um artigo com dois Substantivos conectados pelo καὶ, o que
configura a “regra de Granville-Sharp”[6];
de forma que, o substantivo “σωτῆρος” se relaciona a mesma pessoa
expressa pelo primeiro substantivo (i.e., θεοῦ), assim, temos aqui uma
afirmação explícita da deidade de Cristo.
Versículo 14
ὃς – pronome relativo, nominativo,
singular, masculino. Retoma um termo anterior da oração, no caso, “Ἰησοῦ Χριστοῦ”,
aplicando-o na oração seguinte: “se deu a si mesmo por nós”, ou seja, liga o
nome à seguinte oração explicativa.
ἔδωκεν – verbo, aoristo, ativo, indicativo,
terceira pessoa, singular. Como verbo aoristo, “apresenta
uma ocorrência, vista de fora, em sua totalidade" (Fanning:554), também
chamado de aoristo constativo, complexivo, pontilear, compreensivo ou global,
enfatizando o fato em si.
ἑαυτὸν – pronome reflexivo, terceira pessoa,
acusativo, singular, masculino. A força do reflexivo frequentemente
indica que o sujeito é também o objeto da ação do verbo (DW:350), destaca-se
aqui a participação total do sujeito (Jesus Cristo) na ação verbal (dar,
conceder - ἔδωκεν).
ὑπὲρ – preposição. Com o genitivo “ἡμῶν”,
a preposição ὑπὲρ, nesse caso pode representar vantagem, ou seja, em benefício
de, por causa de, no entanto, também é possível a ideia de substituição, ou
seja, “em lugar de”, também envolvendo a ideia de representação. (DW: 383). Ainda
segundo Wallace, o sentido substitutivo da preposição ὑπὲρ é encontrado em
abundância na literatura extra canônica, podendo ser visto, por exemplo, em
Platão (A Republica 590 a.C) e Xenophon (Anabasis 7.4.9-10).
ἡμῶν – pronome pessoal, primeira pessoa,
genitivo, plural. Temos aqui um "Nosso" Inclusivo (DW:394), ou
seja, Paulo e seus leitores/ouvintes. Como genitivo indica a ideia de Posse.
ἵνα – Trata-se de uma conjunção
subordinada, visto que une uma cláusula dependente a uma independente ou
a outra cláusula dependente, completando o sentido do verbo principal.
(DW:667). É, além disso, uma conjunção final, i.e., indica o propósito da ação
verbal (ἔδωκεν).
λυτρώσηται – verbo, aoristo, médio, subjuntivo,
terceira pessoa, singular. O presente verbo no subjuntivo após a preposição ἵνα,
faz parte da categoria mais comum do subjuntivo no NT (DW:471),
subcategorizado como oração final com ἵνα, de propósito ou télico, respondendo à questão "Por que?". Como verbo
aoristo, “apresenta uma ocorrência, vista de fora, em sua totalidade,
sem considerar a composição interna da ocorrência" (Fanning:554).
ἡμᾶς – pronome pessoal, primeira pessoa,
acusativo, plural. Temos aqui um "Nós" Inclusivo (DW:394), ou
seja, Paulo e seus leitores/ouvintes. Como
acusativo, indica o objeto imediato da ação do verbo “λυτρώσηται”.
ἀπὸ - preposição. Seu uso com o genitivo (somente),
tem, nesse caso específico a ideia de separação. Intimamente relacionado ao
verbo λυτρώσηται, nos dá noção de algo ativamente efetuado com referência à
separação da “ἀνομίας” na conclusão do pensamento.
πάσης – adjetivo, genitivo, singular, feminino.
Juntamente com o substantivo subsequente ἀνομίας, temos uma construção anarthra Adjetivo-Nome,
além disso, é apresentado aqui o Comparativo usado como Elativo, no qual
a qualidade expressa pelo adjetivo é intensificada, mas não é feita uma comparação
(DW:300)
ἀνομίας – substantivo, genitivo, singular,
feminino. O substantivo genitivo representa o objeto da ação do verbo λυτρώσηται.
καὶ - Conjunção, lógico
conectiva. Expressa a ideia de continuidade de pensamento e descrição,
conectando os verbos λυτρώσηται e καθαρίσῃ.
καθαρίσῃ - verbo, aoristo, ativo, subjuntivo, terceira
pessoa, singular. Esse verbo continua, juntamente com λυτρώσηται ligado à
preposição ἵνα, logo configura-se como subjuntivo após a preposição ἵνα, subcategorizado como oração final com ἵνα, de propósito
ou télico, respondendo à
questão "Por que?". Como
verbo aoristo, “apresenta uma ocorrência, vista de fora, em sua
totalidade, sem considerar a composição interna da ocorrência"
(Fanning:554).
ἑαυτῷ - pronome reflexivo, terceira pessoa, dativo, singular, masculino. A
força do reflexivo frequentemente indica que o sujeito é também o objeto da
ação do verbo (DW:350), destaca-se aqui a participação total do sujeito (Jesus
Cristo) na ação verbal (purificar).
λαὸν – substantivo, acusativo,
singular, masculino. Como acusativo o substantivo é o objeto direto do pronome
relativo ὃς que retoma
ao substantivo Jesus Cristo.
περιούσιον – adjetivo, acusativo, singular,
masculino. Intimamente relacionado ao substantivo anterior, λαὸν, temos uma construção anarthra Nome-
Adjetivo na quarta posição atributiva.
ζηλωτὴν – substantivo, acusativo, singular,
masculino. Temos aqui acusativo predicativo, no qual, um acusativo
(substantivo ζηλωτὴν) predica
algo sobre outro acusativo (DW:190),
no caso λαὸν.
καλῶν – adjetivo, genitivo, plural,
neutro. Está relacionado ao
substantivo ἔργων, temos uma construção anarthra Adjetivo-Nome, além disso, é
apresentado aqui o Comparativo usado como Elativo, no qual a qualidade
expressa pelo adjetivo é intensificada, mas não é feita uma comparação (DW:300)
ἔργων – substantivo, genitivo, plural,
neutro. Ligado ao substantivo λαὸν temos um genitivo
de produto (i.e., que produz). O substantivo no genitivo (ἔργων) é o
produto do substantivo com o qual ele está relacionado. No caso, povo [que
produz] boas obras.
7. Analisando Palavras Significativas
Tendo em vista que “as palavras funcionam em um contexto”
Ἐπεφάνη - ‘aparência, aparecimento’, ligado também a uma esplêndida
aparência. Segundo Vicent, esse é um termo encontrado somente nas Pastorais, Lucas e em Atos
Quando Paulo escreve a
Tito que os crentes devem viver uma vida piedosa, enquanto aguardam “a bendita
esperança e o aparecimento [επιφάνεια] da glória do nosso grande Deus e
Salvador, Cristo Jesus” (Tt 2.13), o apóstolo tem em mente, segundo Erickson, o
aspecto “da επιφάνεια como o objeto da esperança dos crentes. Um emprego
semelhante do termo επιφάνεια pode ser encontrado em 1 Timóteo 6.14 e 2 Timóteo
4.8.”
Tudo isso confere ao evento-Cristo o caráter de uma incursão
massiva do invisível, do divino na história humana visível. Além disso, não é
simplesmente uma referência ao aparecimento de uma pessoa, mas sim a todo o
evento salvífico que gira em torno dessa pessoa.
Χάρις – Muitos sentidos são possíveis para esse
vocábulo per si. Podendo ser descrição de uma qualidade ou atratividade
vencedora que convida a uma reação favorável, graciosidade, atratividade,
charme, sedução – visto em Homero, Jos. e Ant. 2, 231. (BDAG: 1052). Também uma
disposição benéfica para com alguém, favor, cuidado, ajuda e boa vontade. De outra ordem é o subconjunto de
reciprocidade conhecido como mecenato romano, em que se mantém claramente a
superioridade do doador sobre o cliente. A ação de quem se oferece para fazer
algo em benefício de outrem. Também,
por metonímia, pode referir-se aquilo que traz o favor de alguém (de Deus) ou
ganha uma resposta favorável de Deus. (BDAG: 1052). Conforme Vine, “estar em
favor com é achar "graça” com” (por exemplo, At 2.47);” vemos muito
isso no final de várias epístolas, onde Paulo deseja a "graça” de Deus aos
leitores (por exemplo, Rm 1.7; 1 Co 1.3); neste sentido, “está correlacionado
ao modo de saudação comum entre os gregos”
Σωτήριος - Libertação, preservação. Há, nos usos
desse vocábulo no grego clássico, um
foco especial no aspecto físico
Παιδεύουσα –
imperfeito. ἐπαίδευον;
futuro. Παιδεύσω,
aoristo. ἐπαίδευσα.
Passivo futuro παιδευθήσομαι.
Fornecer instrução para uma vida informada e responsável, educar, ajuda no
desenvolvimento da capacidade de uma pessoa para fazer escolhas apropriadas e praticar
a disciplina. (BDAG: p. 756). Qualifica ainda mais Χάρις, significando tanto
"instruir" quanto "disciplinar". Embora ambos sejam
possíveis aqui, o conceito mais amplo de instrução é mais provável por causa
das instruções que se seguem
ἀσέβειαν – Impiedade. O contrário de εὐσεβείᾳ como em
1 Timóteo 2:2.
ἐλπίδα - Att. fut. ἐλπιῶ; 1. aor. ἤλπισα;
pf. ἤλπικα. Ansiar por algo., com implicação de confiança sobre algo. vindo a
passar; esperança. Ansiedade por algo. com algum motivo de confiança a respeito
de realização, esperança, expectativa. (BDAG: 282). Uma outra nuança desse
termo no contexto grego (Agathias
Hist. 3, 5 p. 243f D.; En 103:11; Philo, Migr. Abr. 195) é de esperar por algo.
tendo em conta as medidas que se toma para assegurar o cumprimento. (BDAG: 282),
assim, essa esperança não seria totalmente passiva. no Novo Testamento, “expectativa favorável e confiante”
(contraste na Septuaginta em Is 28.19, “uma má esperança”). Substantivo elpis
e o verbo elpizo e seus derivados: ambas as palavras denotam, de um
lado, o ato de "esperar", mas ambas também incluem a ideia do
"objeto esperado". Tem a ver com o que nao se vê e o futuro (Rm
8.24,25). “Esperança” descreve: (a) a antecipação feliz do que e bom — o
significado mais frequente (por exemplo, Tt 1.2; 1 Pe 1.21); (b) a base
sobre a qual a “esperança” e fundamentada (At 16.19; Cl 1.27, “Cristo em vos, esperança
da gloria”); (c) o objeto no qual a “esperança” e estabelecida (por exemplo, 1
Tm 1.1).
αἰῶνι – “Era, idade” (a ser
relacionada com aei. “sempre”, em vez de ser ligada a ao “respirar”).
significa um período de duração indefinida, ou tempo considerado em relação ao
que acontece no período
λυτρώσηται – λύτρον
significa preço de libertação, resgate (especialmente o dinheiro do resgate
para a alforria de escravos). Λυτρόομαι, já traz o sentido da ação de libertar
pagando um resgate, resgatar. Libertar de uma situação opressiva, libertar,
resgatar, redimir. (BDAG: 537). Apresenta uma figura de compra
λαὸν
περιούσιον –
Povo Exclusivo. As palavras que se traduzem um povo “exclusivamente seu” são
empregadas em LXX (Êx 19:5; 23:22; Dt 7:6; 14:2; 26:18), onde denotam o povo
que Deus redimiu e que é, portanto, “peculiar” para Ele. A frase foi originalmente
aplicada ao povo de Israel, mas é aplicada aqui para os crentes no Messias -
judeus e gentios
ζηλωτήν - “zeloso”, está ligado a λαόν, “povo”,
agindo como um título, e a palavra pode ser seguida pelo genitivo da pessoa
(Atos 22:3) ou coisa (Atos 21:20; 1 Coríntios 14: 12; 1 Pe 3:13). “A pessoa que
é um ζηλωτὴν καλῶν ἔργων, “fanático por boas ações”, contrasta com os oponentes
cretenses, que são impróprios para qualquer boa ação”
8. Contexto Histórico-Cultural em Geral
Já nos Séc. I e II a.C, Roma estendia a sua soberania a um
vasto campo geográfico e político, a sua “maquinaria governamental começava-se
a se desenvolver” no sistema provincial. A aquisição de províncias feito por
Roma começou com a Sicília, conquistada a Cartago na primeira guerra Púnica,
264-241 a.C. O imperador Pompeu anexou a Cilicia e Creta em 63 a.C.
A palavra latina província, de que derivou
“província”, significa originalmente o encargo de prosseguir com a guerra, ou
um posto de comando. Aplicada às autoridades de um general estendia-se à sua
esfera de autoridade, e por isso ao território conquistado por ele, que se
tornava a sua província. Quando Roma conquistou novos domínios, estes foram
organizados em províncias que se tornaram parte do sistema geral imperial.
A única visita à ilha que é conhecida é aquela descrita em
Atos 27, quando o navio que o transportava a Roma foi velejando pelo seu
litoral.
Já desde o início de sua história registrada havia muitas
cidades na ilha, levando-se em conta seu tamanho minúsculo. Se pudermos crer na
Odisseia de Homero (lib. xix.v. 172-179), contava com noventa cidades naqueles
tempos tão remotos, embora outras fontes informativas falem até em cem cidades.
Nos dias do apóstolo Paulo, o número de judeus ali habitantes era grande,
provavelmente devido à sua importância comercial. As localidades mencionadas
nas páginas do N.T., pertencentes àquela ilha, são Bons Portos (um porto
marítimo) e a cidade de Laséia, nas proximidades de acordo com Atos 27:8.
Paulo havia deixado Tito na Ilha de Creta “para que pusesses
em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses
presbíteros” (Tt 1:5 – ARA). Segundo
Gundry, o Apóstolo “escreveu esta epístola quando estava em Nicópolis, na costa
ocidental da Grécia. Endereçou-a a Tito, a quem deixara na ilha de Creta, a fim
de organizar a igreja local dali.”
As igrejas não tinham prédios próprios nos dias de Paulo e,
em geral, se reuniam nas casas de membros prósperos. Algumas dessas casas
podiam acomodar, na sala principal (atrium) ou num jardim com colunata
(perístylium) mais atrás na casa (Ems, 1989, p. 139-45, 144 – citado Reid
A situação em Creta era desanimadora. A igreja estava
desorganizada e os seus membros tinham um comportamento absolutamente
descuidado. Por isso, Tito deve ensinar, exortar, reprovar e ordenar, ensinar a
sã doutrina, instruindo os anciãos a observar seu comportamento e permanecer
sãos na fé, no amor e na perseverança. “Os homens mais jovens devem cultivar a
virtude do autocontrole, particularmente à luz dos vícios espalhafatosos de
Creta. Tito deve dar um exemplo positivo.”
A respeito da presença do Judaísmo na Ilha de Creta, o
filósofo helenista Judeu Filo fala da diáspora como o resultado positivo da
colonização do mundo habitado pela nação judaica
Os judeus da diáspora continuaram a exibir uma alta
reverência pela pátria, internalizada a partir do papel de Jerusalém, Sião e
Judá nas Sagradas Escrituras.
O comissionamento de Paulo a Tito era para “que pusesses em
boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses
presbíteros, como já [Paulo] te mandei” (1:5). Segundo Robert A. Wild, “esta estrutura
eclesial foi emprestada do judaísmo”
Segundo Towner, com relação ao uso do Antigo Testamento em
Tito, existe uma metáfora da “lavagem /purificação” relativos à aliança do AT
em Tito 2.14c, ligados pelo termo precedente anomia: “... e purificar
para si um povo todo seu”, o que, de acordo com Towner é a “única importante
interação com o AT”
O contexto socio cultural romano também é perceptível. De
acordo com Koester, “o comportamento cristão recomendado aqui (2:12) é idêntico
aos deveres e virtudes sociais e morais gerais esperados de qualquer cidadão
íntegro da época, e eles de fato fazem parte de listas de exigências pagãs para
profissões como as de general ou de ator. Numa formulação sintética, eles são
expressos assim: "Abandonar a impiedade e as paixões mundanas, e viver
neste mundo com autodomínio, justiça e piedade" (Tt 2,12).”
A respeito da ação divina da manifestação da graça de Deus
(v.11), Towner diz: O pano de fundo pluriforme da linguagem da epifania (...)
figurou significativamente no discurso religioso e político helenístico e
especialmente imperial - de deuses, heróis e especialmente do imperador - e foi
descritivo dos atos de YHWH na LXX.”
9. Determinando as Características Formais da Epístola
A carta de Paulo a Tito tinha a objetivo de instruí-lo na
missão de completar o trabalho iniciado na Ilha de Creta. A reputação dos
cretenses não era boa como se percebe no famoso dito de Epimênides: “Os
cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos” (1:12). Sobre o
trabalho de discipulado que Tito teria de desenvolver em Creta, Calvino Comenta:
“Ο teor geral
dessa passagem é que ‘os cretenses eram um povo falso e em seu caráter
associado à ferocidade das bestas selvagens com a luxúria dos domésticos’.
(...) O apóstolo, que costumava tratar com suavidade os que mereciam a máxima
severidade, não teria tratado os cretenses com tanta aspereza sem uma razão plausível.
Pois, que pior reprimenda pode haver que lançar deprimentes acusações contra
aqueles que são preguiçosos, feras imprestáveis, glutões ociosos? Tampouco são
tais vícios lançados contra uns poucos indivíduos, mas contra toda uma nação
condenada.”
Hendriksen aponta um tríplice propósito na mente de Paulo
quando da escrita dessa carta: “(1) Insistir com Tito a ir ter com Paulo em
Nicópolis, assim que um substituto houvesse assumido o trabalho em Creta
(3.12). (2) Encaminhar Zenas, o intérprete da lei, e Apoio, o evangelista
eloquente (3.13). (3) Ministrar diretrizes para a promoção do espírito de
santificação nas relações congregacionais, individuais, familiares e sociais.”
Dessa forma, a presente epístola apresenta características
de um manual geral de instruções eclesiásticas, orientando a respeito do
discipulado, da disciplina eclesiástica, da ordenação de oficiais bem como, de
acordo com o costume paulino, uma excelente exposição das bases teológicas para
as advertências e instruções.
A perícope sob análise (i.e. 2:11-14) encontra-se no corpo
da carta e é um excelente exemplo da apresentação das bases teológicas para as
advertências e instruções tanto precedentes quanto subsequentes. De acordo com
Mounce, “em um corpus que enfatiza os aspectos práticos do cristianismo, esses
versículos fornecem uma base teológica firme para a prática correta.”
10. Examinando o Contexto Histórico em Particular
Apesar da má fama dos moradores daquela pequena Ilha “mentirosos,
bestas ruins, ventres preguiçosos”, resumidos por Kelly como “a falsidade, a
grosseria, e a gula do grupo dissidente em Creta”
A esperança da manifestação luminosa da Salvação proveniente
de Deus era latente na mentalidade Judaica e Paulo parece estar validando essa
esperança. Há muitas e variadas evidência de que os judeus eram numerosos em
Creta. (Josefo, Antiq. XVII. 327; Bell.
Iud ii. 103; Filo, Leg. ad Gaium 282). Josefo comenta que “[Aristóbulo] foi a
Creta, persuadiu ali todos os judeus com os quais falou, tirou-lhes dinheiro e
depois passou à ilha de Meios, onde acreditando que ele era sangue real,
deram-lhe ainda muita atenção.”
Além da confirmação da esperança messiânica expressa em
2:11-14, a presente perícope constitui-se para os cretenses, a resposta divina
ao problema genético[9]
(ou genealógico) dos mesmos. Cristo poderia torná-los uma “Nova Criatura” (2 Co
5:17). Paulo enfatiza o caráter educador do evangelho na mudança de todos, sem
distinções.
Mounce observa características helenísticas e judaicas na
presente perícope. Segundo esse autor:
“A linguagem é
decididamente helenística porque Paulo está contrastando a aparência do
verdadeiro salvador com ideias helenísticas, especialmente adoração ao
imperador. No entanto, muitos dos termos e ideias estão profundamente
enraizados no AT e no próprio pensamento de Paulo, e em firme contraste com o
ideal helenístico de educação que resulta em virtude; a vida cristã virtuosa
está firmemente fundamentada na obra redentora de Cristo.”
Por fim, constantemente usado pelos autores
neotestamentários como estímulo à vida piedosa, é a segunda vinda (1Co 15:58,
1Jo 3:1ss). A expressão “aguardar”
modifica o viver diário presente. Segundo Calvino, Paulo vê na escatologia a
“base para sua exortação; (...) ela [a doutrina da segunda vinda] não pode
senão levar-nos a devotar-nos integralmente a Deus. Em contrapartida, aqueles
que não cessam de viver para o mundo e para a carne não têm a menor noção da
importância da promessa da vida eterna.”
11. Determinando o Contexto Literário
Para melhor entendermos o objetivo de Paulo, faz-se
necessário analisarmos o fluxo do argumento desde o inicio da epístola até o
exato momento em que nossa perícope é iniciada.
I.
A saudação de Paulo
revelando sua atitude quanto ao ministério e sua apreciação por Tito (1.1-4).
II.
O estabelecimento de
igrejas maduras nas quais a doutrina é confirmada pela vida depende da presença
ativa de liderança espiritualmente qualificada (1.5-16).
a.
As responsabilidades
de Tito em Creta são definidas: o aperfeiçoamento das igrejas e a indicação de
liderança qualificada
b.
Como presbíteros em
Creta precisam ser:
i.
Precisam ter reputação
irrepreensível (1.6a).
ii.
Precisam ser exemplos
de fidelidade conjugal (1.6b).
iii.
Precisam ter filhos obedientes
(1.6c).
iv.
Precisam estar acima
de qualquer repreensão porque são despenseiros de Deus (1.7a).
v.
Precisam ser humildes
(1.7b).
vi.
Precisam ser mansos
(1.7c).
vii.
Precisam ser moderados
(1.7d).
viii.
Precisam ser pacíficos
(1.7e).
ix.
Precisam ser honestos
(1.7f).
x.
Precisam ser
hospitaleiros (1.8a).
xi.
Precisam ser
estimuladores à boa conduta (1.8b).
xii.
Precisam ser sensíveis
(1.8c).
xiii.
Precisam ser justos
(1.8d).
xiv.
Precisam ser santos em
sua conduta (1.8e).
xv.
Precisam ter domínio
de si (1.8f).
xvi.
Precisam ser doutrinariamente
sãos (1.9).
c.
A missão dos
presbíteros em potencial é “refutar eficazmente as doutrinas de falsos mestres
e confrontar o erro para que os crentes sejam sadios em sua crença (1.10-16).”
III.
O estabelecimento de
igrejas maduras, nas quais a doutrina é confirmada pela vida, depende da
prática de boas obras por parte de cada crente por meio da graciosa capacitação
de Deus (2.1–3.11).
a.
O dever de Tito é
traduzir a doutrina sadia para a prática sadia nas vidas de grupos diferentes
na igreja cretense por meio do ensino e do exemplo (2.1-10).
b.
A capacitação de Tito
para o ministério era o poder transformador da graça divina manifestada por
meio da vida, morte, ressurreição e retorno glorioso de Jesus Cristo (2.11-14).
c.
O dever de Tito é
preparar os crentes a viver vidas excelentes e proveitosas na sociedade, à luz
da misericórdia de Deus em suas vidas (3.1-8).
d.
O dever de Tito é
proteger a igreja da fé vazia rejeitando debates infrutíferos e lançando fora
falsos mestres que provocam divisão (3.9-11).
IV.
Os planos de Paulo
para Tito (3.12-14).
V.
Saudações e ações de
graça (3.15).
Assim vemos que nossa perícope (III, b) trata exatamente do
Poder disponibilizado por Deus, por meio de Cristo, através do qual tanto Tito,
em sua função de líder, quanto os Cretenses, em sua caminhada cristã, podem
obedecer à vontade de Deus.
Assim entendida, a passagem teológica fornece a base para o
ensino ético que fora estabelecido (2,1-10). Só agora o que foi prescrito deve
ser visto claramente como uma operação da graça, intrinsecamente ligada à morte
de Cristo e ao novo modo de vida associado a esse evento.
12. Considerando os contextos bíblicos e teológicos mais
amplos
Temos diante de nós um texto teologicamente rico, de forma
que, muitos dogmas cristãos são facilmente observáveis em Tito 2:11-14. Segundo
Towner, “esta seção é uma declaração de teologia densamente empacotada que, de
certa forma, marca o ponto alto retórico da carta.”
Em primeiro lugar temos a ideia da manifestação da Graça de
Deus. A graça é, segundo Erickson, “um atributo que faz parte dos diversos
aspectos do amor de Deus”
De acordo com Berkhof, “a Bíblia geralmente emprega a
palavra Χάρις para indicar a imerecida bondade ou amor de Deus aos que
perderam o direito a ela e, por natureza, estão sob a sentença de condenação.”
Em segundo lugar, a doutrina da Divindade de Cristo é
afirmada de forma clara. Tanto Tt 2.13 quanto 2Pe 1.1 têm notas marginais na
rsv nas quais se alude a Jesus como outra pessoa que não “Deus”, não sendo,
portanto, chamado Deus. De acordo com Grudem, “essas traduções alternativas são
gramaticalmente possíveis, mas improváveis. Os dois versículos têm a mesma
construção em grego, na qual um artigo definido rege dois substantivos unidos
pela palavra grega que significa e (kai).”
Jesus nunca fez reivindicação explícita e aberta de
divindade, como “Eu sou Deus”. Encontramos, no entanto, declarações que seriam
inadequadas se fossem feitas por alguém menor que Deus. Por exemplo, Jesus
disse que enviaria “seus anjos” (Mt 13.41); em outras passagens, eles são
mencionados como “os anjos de Deus” (Lc 12.8,9; 15.10). Em outro local: “O
Filho do homem enviará seus anjos, e eles ajuntarão do seu reino tudo que serve
de tropeço, e os que praticam o mal”. Esse reino é repetidamente citado como
sendo o reino de Deus, mesmo no Evangelho de Mateus (Mt 12.28,19.24; 21.31,43).
Os autores do NT atribuem
o termo κύριος (“Senhor”) a Jesus, termo esse que, na LXX “era a tradução comum
do nome יהרה (Javé) e do termo de reverência א ת י (Adonai)”
Por fim, a doutrina da Segunda Vinda de Cristo também salta
aos nossos olhos quando lemos que “[A graça] nos ensina a renunciar à impiedade
e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era
presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação
de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo.” (Tt 2:12,13). Tal ensino é
claro em toda a sagrada escritura, desde o “Dia do Senhor” no Antigo testamento
(Is 24:21, Sf 1:14-18, Jr 46:10), até as referências à Revelação, Retorno e
Aparecimento de Jesus Cristo como expresso no Novo Testamento. (Mc 13.32,33,35;
Mt 24.36-44, ITs 4.16, At 1.11).
O Catecismo de Heidelberg inclui um eco de Tito 2:13 em sua
declaração de esperança apocalíptica: "[em] toda minha dor e perseguição
eu levanto minha cabeça e aguardo ansiosamente como juiz do céu a mesma pessoa
que antes se submeteu para o julgamento de Deus por minha causa, e removeu toda
a maldição de mim [Lucas 21:28; Rm 8:22–25; Fil. 3:20, 21; Tito 2:13, 14]. Ele
lançará todos os Seus e meus inimigos em condenação eterna, mas Ele levará a
mim e a todos os Seus escolhidos para Si mesmo na alegria e glória celestiais
[Mt. 25:31–46; 1 Tes. 4:16, 17; 2 Tess. 1:6–10]”
13. Conclusão
Da análise acima percebemos a característica marcante em
Paulo: o comportamento e as considerações doutrinárias nunca estão longe em sua
discussão. Em uma declaração concisa Paulo enfatiza tanto a encarnação e a
expiação e a relação dessas doutrinas com a segunda vinda de Cristo. Dessa
forma aprendemos que é realmente impossível viver com domínio próprio para além
da graça de Deus e que o autocontrole não pode ser alcançado através do auto
esforço sozinho a parte do Filho de Deus. A partir dessa verdade, percebemos o
quanto a ética cristã dista do estoicismo e de outras filosofias que valorizam
a ética per se, pelo contrário a doutrina permanece como a base tanto
pra fé como para o viver.
Percebemos o quão dista da verdade bíblica uma doutrina que
superenfatiza a graça a ponto de destituí-la da santificação progressiva na
vida. Essa graça não é a graça salvífica de nosso Senhor Jesus Cristo, mas uma
“graça barata” nas palavras de Bonhoeffer. Segundo esse autor:
"A graça
barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina
de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a
absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a
graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado”.
Além disso, a escatologia nunca pode levar a um interesse
meramente futurístico e especulativo do tipo: “Que fazia Deus antes de criar o
céu e a terra?[10]” pelo
contrário, a doutrina das ultimas coisas devem despertar em nós tanto esperança
quanto o desejo de viver de forma a agradar Aquele perante o qual nos
colocaremos um dia.
Relacionando a esperança da Vinda de Cristo com a prática de
boas obras e santificação, Lutero diz:
“A nossa vida deve
ser tão modesta perante nós mesmos, o próximo e Deus, a ponto de podemos
esperar com toda a segurança a vinda de nosso Senhor. (...) Se o marido cumpre
as obras que lhe competem e se a esposa ama o seu marido e cuida da casa também
eles podem esperar com toda segurança a vinda pois sabem, com absoluta certeza,
de que agradam a Deus. Semelhantemente, o orador ou o pregador preocupado com o
seu ofício está seguro e absolutamente certo de que serve a Deus, etc., ainda
que satanás invista efetivamente contra ele. Nenhum membro do clero é capaz
disso. Uma criada, porém, pode dizer: "Eu lavei as panelas, fiz fogo no
forno, etc., estendi a cama", etc. Ela espera a vinda com confiança,
porque fez essas obras que, seguramente, agradam a Deus na fé em Cristo. Assim
sucede cm o filho que obedece ao pai. Se este o manda estudar, ele estuda e
pensa: "E a ordem do meu pai, e agrada a Deus". Assim, a doutrina de
Deus é ornada pela nossa vida, porém não para que sejamos justificados por isso.
E grandioso o fato de [Deus] querer dar a vida eterna por causa da lavagem das
panelas! Mas não é exatamente assim. Porém, ele a dá àquelas pessoas que
viveram dessa forma, aguardando a vinda de Cristo: Não temais, pequenino
rebanho”
Muitos textos neotestamentários trazem essa verdade – de que
a graça salvadora de Deus educa moralmente os seres humanos, capacitando-os a
fazerem a vontade de Deus – no entanto, não de forma tão clara como na presente
perícope. Há nisso, grande conforto para o cristão que ama ao Senhor, vive para
sua glória e aguarda seu retorno bendito.
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[1] Seguimos os 15 passos
conforme apresentado no manual de exegese neotestamentária de Gordon D. Fee. e
Douglas Stuart.
[2] “No século 19 (1807, para
ser exato), F. Shleiermacher rejeitou a autoria paulina de 1 Timóteo. F. C.
Baur, em sua obra sobre as Epístolas Pastorais (Stuttgart e Tübingen, 1835),
defendia a posição de que é inconsistente aceitar 2 Timóteo e Tito e rejeitar 1
Timóteo. As três deviam ser consideradas como literatura pseudo-epigráfica.
Muitos discípulos entusiastas - a Escola de Tübingen - endossaram seu ponto de
vista. Hoje essa posição é aceita por muitos, ainda que alguns tenham adotado
um ponto de vista um pouco mais conservador”
[3]
Michael W.
Holmes, The Greek New Testament: SBL Edition (Lexham Press; Society of
Biblical Literature, 2011–2013), Tt 2.11–14.
[4] (Fanning, Verbal Aspect in
New Testament Greek, 1991)
[5]
[6] “Quando a partícula Kai conectar dois nomes no mesmo caso, [ou
seja, nomes (substantivo, adjetivos ou particípios) de descrição pessoal,
referindo-se a oficio, dignidade, afinidade ou conexão, atributos,
propriedades, ou qualidade boas ou mas], e se o artigo o, ou qualquer uma de
suas formas declináveis, preceder o primeiro nome ou particípio, e se nao
repetir-se antes do segundo nome ou particípio, o ultimo sempre se relacionara
a mesma pessoa expressa ou descrida pelo primeiro nome ou particípio. Ou seja,
denotará outra descrição ao nome inicialmente citado” (Citado em Wallace,
Daniel. Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento. 2009. Pág.
324)
[7] (Danker, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early
Christian Literature, 2010)
[8]
Tradução de E. Mary
Smallwood, Philonis Alexandrini: Legatio ad Gaium (Leiden: Brill, 1970).
[9] Uso aqui “problema
genético” não no sentido biológico e científico atual, visto ser isso um
anacronismo descarado. Decidir em utilizar esse termo para enfatizar os pecados
de caráter sócio moral fortemente presentes nos cretenses perpassados de pai
para filho.
[10] Faço aqui referência ao
Livro XI Cap. XII das Confissões de Agostinho de Hipona, o qual, ao
questionamento “que fazia Deus antes de criar o céu e a terra?”, responde: “não
responderei jocosamente como alguém para contornar a dificuldade do problema:
“Preparava o inferno para os que perscrutam esses mistérios profundos”. – Uma
coisa é compreender e outra é brincar. Não, essa não será minha resposta.
Prefiro dizer: “Não sei” – pois de fato não sei, que ridicularizar quem faz
pergunta tão profunda, ou louvar quem responde com sofismas.”
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