Os Dias da Criação são de 24 horas literais?

Apresentação

 Leandro Monte Alves

Acadêmico de Teologia

Escola Teológica Charles H. Spurgeon

A crescente atenção dada ao criacionismo, à ciência das origens e à ciência teísta nas últimas décadas, criou um ambiente em que velhas questões ressurgiram com novas sofisticações. Uma delas refere-se ao significado do termo "dia" no primeiro capítulo do Gênesis.

Esse ensaio tem o objetivo de apresentar as propostas a respeito da duração e/ou significado  dos dias da criação, tendo em vista o grande número de material que trata a respeito do assunto.

A questão toda é como foi levantada por Norman Geisler “Como pode haver seis dias literais de criação quando a datação científica tem demonstrado que a vida surgiu gradativamente ao longo de um período de muitos milhões de anos?”.  (Geisler, 2002)

Assim, “têm-se proposto diversas interpretações para os dias do relato da criação, inclusive períodos literais de vinte e quatro horas, eras e épocas extensas e estruturas de um arcabouço literário designado a ilustrar a natureza ordenada da criação divina e a capacitar o povo pactual a imitar o Criador.” (Waltke, 2003).

Algumas Posições

 

O relato da criação com os seus seis “dias” seguidos do “sétimo dia” é de interesse especial para os que veem contrastes entre o curto período de tempo do relato da criação e as longas eras exigidas pela evolução natural.

Assim, desenvolveu-se várias teorias com respeito à duração e natureza dos 6 dias de criação descritos em Genesis 1: “Uma primeira posição é a de que todas as coisas foram criadas num momento único e indivisível, e os dias da criação são estágios da revelação ou estágios do conhecimento da revelação, essa foi a posição de Origines de Alexandria” (Franklin Ferreira e Allan Myatt, 2007).

Alguns tentaram calcular o tempo da Criação por meio do uso das idades dadas nas genealogias bíblicas; ”O arcebispo James Usher chegou à data de 4004 a.C. para a Criação. Com base nisso, a Criação não teria mais do que aproximadamente seis mil anos.” (Erickson, 2015). No entanto, tal suposição não resiste a uma análise mais detalhada das listas genealógicas encontradas na bíblia. De acordo com Wayne Grudem:

Uma investigação mais detida nas listas paralelas de nomes nas Escrituras mostra que a própria Bíblia indica que as genealogias relacionam somente os nomes que os autores bíblicos consideravam importante registrar, segundo os seus objetivos. De fato, algumas genealogias incluem nomes omitidos por outras genealogias da própria Bíblia. (Grudem, 1999)

 

Alguns consideram o relato dos Dias criacionais contendo apenas ensinamentos morais e espirituais, nada tendo haver com a realidade dos fatos. A Geneva study Bihle [Bíblia de Estudo de Genebra] explica o “dia” antropomórfico como uma “adaptação às limitações do conhecimento humano — uma expressão do Criador infinito em termos compreensíveis a seres humanos finitos e frágeis”[1].  (Waltker, 2015)

Outra teoria seria a do dia pictórico (ou da estrutura literária) que considera os dias da Criação como uma questão de estruturação lógica e não cronológica. Segundo essa teoria o autor ordenou o material em um conjunto lógico que tomou a forma de seis períodos, assim, o relato é ordenado em dois conjuntos de três. É possível constatar paralelos entre o primeiro e o quarto, o segundo e o quinto, e o terceiro e o sexto dias da Criação.

Outros defendem o entendimento dos dias da criação como Eras (de milhares ou milhões de Anos), e, por fim, há a posição que defende que o universo foi criado plenamente desenvolvido e, portanto, com aparência de antiguidade, em seis dias de 24 horas, entre 6 a 20 mil anos atrás.

No presente ensaio, pretendemos apresentar com mais detalhes, as duas ultimas visões que, atualmente possuem mais defensores e proponentes: O Dia-Era e o Dia de 24 horas literais; concluindo com o nosso parecer com respeito a essa questão.

O Dia-Era

 

Iniciamos com a teoria do Dia-Era. De acordo com Millard Ericsson:

A teoria do dia-era está baseada no fato de que o termo hebraico “dia” (yóm), que, embora signifique, com mais frequência, um período de 24 horas, não está limitado a esse sentido. Pode significar também épocas ou períodos longos, e é assim que deve ser entendido nesse contexto. Essa visão propõe que Deus realizou a Criação em uma série de atos durante longos períodos. Os registros geológicos e fósseis correspondem aos dias de seus atos criadores.  (Erickson, 2015)

Tenta-se, pelo “criacionismo da Terra antiga”, coadunar o entendimento cientifico moderno com a palavra de Deus, com respeito aos dias da criação e Idade da Terra. Para alguns teólogos, entender os dias da criação como milhões de anos, se harmonizaria melhor com todo entendimento que temos do universo hoje.

De acordo com a maior parte dos cientistas que estudam o passado geológico da Terra, o nosso planeta possui aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Esse cálculo é feito a partir da análise em átomo de urânio, que se transformam em chumbo e libera radiação. Durante o tempo chamado de “meia-vida”, resta metade do urânio anteriormente existente, que diminui pela metade em uma nova meia-vida e assim sucessivamente.  Assim, costuma-se distinguir o tempo histórico do tempo geológico. O primeiro é sempre medido na escala dos milhares, e o segundo, na escala dos milhões e bilhões.

O criacionismo da Terra antiga é um termo genérico usado para descrever os criacionistas bíblicos que neguem que o universo tenha sido criado nos últimos 6.000 a 10.000 anos ao longo de seis dias consecutivos de 24 horas. Em vez disso, os criacionistas da Terra antiga acreditam que Deus criou o universo e seus habitantes (incluindo um Adão e uma Eva literais) durante um período de tempo muito mais longo do que o permitido pelos criacionistas da Terra jovem.

A lista de líderes cristãos notáveis que são (ou foram durante suas vidas) pelo menos abertos a uma interpretação da Terra antiga é longa e essa lista continua a crescer. A lista inclui homens como Walter Kaiser, Norman Geisler, William Dembski, J.I. Packer, J.P. Moreland, Philip E. Johnson, Chuck Colson, Francis Schaefer e o erudito do Antigo Testamento - Gleason Archer.[2]

O estudioso do Antigo Testamento Gleason Archer (1916-2004), escreveu: “Com base na evidência interna, estou convicto de que a palavra “yôm” em Gênesis não poderia ter sido utilizada pelo autor hebreu para designar um dia literal de vinte e quatro horas.” (Archer, 1979). Ou seja, os argumentos também são textuais.

Já no Século IV, Agostinho de Hipona, em seu Comentário ao Genesis, entende os dias como não literais. Entretanto essa não foi uma ideia defendida até o fim de sua vida. Já em sua obra Cidade de Deus, diz “Que tipo de dias é esses, é extremamente difícil, ou talvez impossível, de determinar” (Agostinho, 2018)

De acordo com essa posição, muitos pais da Igreja abraçaram essa posição, e não com base no evolucionismo. Eles argumentaram que os ‘dias’ da Criação estavam relacionados com as atividades de Deus e como Deus é intemporal, isso significaria que os ‘dias’ não podiam ser relacionados com o tempo humano[3].

Para os defensores dessa posição, os dias da criação não exigem ser de 24 horas, isso por que, o mesmo termo para dia, isto é, “Yôm”, aparece em outros contextos com o claro sentido de “tempo longo”, por exemplo, é usada para se referir a um período de tempo não específico em Gênesis 2:4 – “Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus.”, fica claro, nesse texto, que a palavra dia (yôm), se refere a todo o período no qual Deus realizou a criação.

 Isso, de acordo com um grande defensor dos dias de 24 horas, deve-nos “precaver contra afirmações dogmáticas de que os primeiros leitores certamente sabiam que o autor estava falando de dias de vinte e quatro horas. Na verdade, ambos os sentidos eram comuns para os primeiros leitores dessa narrativa.” (Grudem, 1999). Lemos que “mil anos [...] são como o dia de ontem”, em Salmos 90.4 e 2Pedro 3.8. E em Gênesis 2.4, como já vimos, a palavra resume toda a criação. Isso indica um significado amplo da palavra “yôm” na Bíblia, como é amplo seu significado na lingua portuguesa.

A teoria do dia-era é a que melhor se encaixa no registro geológico e bíblico, especialmente se quando consideramos que, enquanto o Sol, a Lua e as estrelas foram criadas no primeiro dia, eles não se tornaram claramente até o quarto dia. De modo semelhante, plantas verdes foram criadas no terceiro dia, mas foram dadas como alimento ao ser humano somente no sexto dia. Dessa feita, “Interpretar o termo dia (yôm) como um período de duração indefinida não é uma compreensão forçada da palavra, embora não seja seu sentido mais comum.” (Erickson, 2015)

Por fim, argumenta-se a favor dessa interpretação o fato de ser extremamente difícil entender, como, em 24 horas, Deus criou todos os animais, criou a Adão, este sente falta de uma companheira, criou a mulher e ainda ordenar que Adão nomeia-se todos (o que adão o fez). Ademais, o sétimo dia, tem uma duração maior que todos, visto que até hoje Deus encontra-se em seu repouso, não criando, mas preservando sua criação. Como resumiu bem, R. Newman:

Deus criou todos os milhares de animais terrestres (Gn 1.24,25). Deus formou o homem do pó (Gn 2.7), como um oleiro (cf.Jr 18.2s.). Deus plantou um jardim (Gn 2.8), sugerindo atividade envolvendo tempo. Adão observou e deu nome a todos aqueles milhares de animais (Gn2.19). Deus prometeu: “Farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda” (Gn 2.18), denotando um tempo subsequente. Adão procurou uma auxiliadora para si, aparentemente entre as criaturas que Deus havia feito: “Todavia não se encontrou para o homem [implicando um tempo] alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse” (Gn 2.20). Deus fez Adão dormir por um tempo e operou nele, tirando uma de suas costelas e curando a carne (Gn 2.21). Adão demonstrou que esperava Eva havia algum tempo (Gn2.23). Eva foi trazida para Adão, que a observou, aceitou-a e uniu-se a ela (Gn 2.22-25). (Newman, 2012)

 

Dias de 24 horas literais

 

Contra a posição apresentada acima, temos o entendimento dos dias da criação como sendo de 24 horas literais.

Realmente, a concepção do dia-era é certamente possível, mas possui uma dificuldade acachapante: Ao tentar coadunar-se com a teoria evolucionista, ela falha mesmo assim; visto que a sequência de acontecimentos de Gênesis 1, não corresponde exatamente à explicação científica atual do desenvolvimento da vida, pois o relato bíblico situa os seres marinhos antes das árvores, e os insetos e outros animais terrestres, assim como também os peixes, antes das aves, o que não se harmoniza com o entendimento da ciência moderna, harmonização essa tão valorizada pelos proponentes da visão Dia-Era. Além disso, “dias com duração de mil anos não representam nem uma gota, no balde das eras geológicas. E a teoria dos dias prolongados em nada contribui para solucionar os enigmas da criação” (Champlin, 2014).  Concordando com essa verdade, Wayne Grudem, diz:

A maior dificuldade dessa ideia é o fato de situar o sol, a lua e as estrelas (4º dia) milhões de anos depois da criação das plantas e das árvores (3º dia). Isso não faz absolutamente nenhum sentido segundo a opinião científica corrente, que afirma que as estrelas foram formadas bem antes da terra ou de qualquer ser vivo da terra. Também não faz sentido em face do modo como a terra hoje funciona, pois as plantas não crescem sem luz do sol, e muitas delas (3º dia) dependem de aves ou insetos voadores (5º dia) para o transporte do pólen; além disso, muitas aves (5º dia) vivem de insetos rastejantes (6º dia). Ademais, é de supor que as águas da terra permaneceriam congeladas por milhões de anos sem a luz do sol. (Grudem, 1999)

Se aceitarmos a teoria de que cada um destes "dias" representa uma era indefinida de milhões de anos, como explicar, por exemplo, que Adão foi criado no sexto período e que Deus descansou no sétimo dia ou "era"? Adão estaria vivo depois ou foi expulso do jardim do Éden no oitavo dia? Que idade teria ele, então? a Bíblia declara-nos que Adão morreu com 930 anos. Porém, se seguirmos o raciocínio do dia-era, ele teria milhões (ou bilhões) de anos, quando foi expulso do jardim do Éden.

Nada nas Escrituras em si e por sim mesmas, admite a ideia de que a criação foi qualquer outra coisa além de dias de 24 horas, literalmente. Uma leitura simples e sem pressupostos cientificistas nunca levaria alguém a interpretar os dias de Gênesis como longas eras. Como disse John MacArthur, “As teorias cosmológicas se impuseram nas Escrituras como uma rede interpretativa e permitiram redefinir o tamanho dos dias da criação. Esta abordagem não é evangélica, e como faz concessões à autoridade das Escrituras no início, irá inevitavelmente afastar as pessoas de uma compreensão evangélica delas.” (MacArthur, 2019), assim, “é óbvio que o autor sagrado pensava que estavam envolvidos dias literais de vinte e quatro horas” (Champlin, 2014)

É de crucial importância vermos que cada um dos dias de Gênesis 1 termine com uma expressão do tipo: “Houve tarde e manhã, o primeiro dia” (Gn 1.5). A frase “Houve tarde e manhã” repetida nos versículos 8, 13, 19, 23 e 31. Isso parece implicar uma sequência de eventos que determina um dia normal de vinte e quatro horas, transportando-nos para os ouvintes primários, seria muito forçado ver como eles entenderiam de outra forma.

Da questão dos primeiros escritores cristãos, muitos dos ‘pais da igreja’ aceitaram os dias da criação como dias normais. No entanto, é também verdade que alguns não entenderam dessa forma os ‘dias’ da Criação, pois tinham sido influenciados pela filosofia grega, que os levou a interpretarem os dias como alegóricos. Portanto, os ‘dias’ não literais resultaram de influências extras Bíblicas (assim como atualmente fazem com o evolucionismo) e não das palavras da Bíblia. Lutero resume nosso argumento assim:

“Os Dias da Criação eram dias de duração normal. Devemos entender que estes dias eram dias reais, ao contrário da opinião dos Santos Pais. Quando verificamos que as opiniões dos Pais da Igreja discordam das Escrituras, nós reverentemente as temos em conta e reconhecemo-los como sendo os nossos inspiradores. No entanto, não devemos deixar de lado a autoridade das Escrituras por causa deles. [...] Tenho dito frequentemente que aquele que estuda as Sagradas Escrituras, deve certificar-se de que aceita as palavras o mais literalmente possível e de forma nenhuma se deve afastar do seu significado a menos que pela fé seja levado a entendê-las de maneira diferente. Porque disto devemos ter a certeza: não houve nenhum discurso tão claro na Terra como aquilo que Deus falou” (Luther, 1991)

Sobre o fato de o sexto dia ser muito curto para o que nele ocorreu, responde-se que Adão não teve de dar um nome a todos os animais – somente àqueles que Deus trouxe até ele. Por exemplo, Adão recebeu ordens para dar nome a “todos os animais ferozes do campo” ele não teve de nomear ‘todos os animais da Terra’ (Génesis 1:25) ou qualquer criatura dos mares, além disso, o número de ‘espécies’ também seria muito inferior ao número de ‘espécies’ na classificação atual.

Quando temos diante de nós uma concordância bíblica, percebemos que a palavra “dia” (yôm) pode ter um sentido elástico, mas no caso de ser acompanhada por um numeral, não pode ter outro significado a não ser o de um dia composto por 24 horas literais. Até mesmo James Barr, que não acreditava na inspiração e inerência das escrituras, disse:

“Até onde eu sei, não há professor de Hebraico ou de Antigo Testamento no mundo universitário que não acredita que os escritores de Gênesis 1–11 tinham a intenção de transmitir aos seus leitores as ideias que (a) a criação aconteceu em uma série de seis dias que foram os mesmos dias de 24 horas que nós agora experimentamos (b) as ilustrações contidas nas genealogias de Gênesis fornecidas por uma simples adição de uma cronologia desde o começo do mundo até os estágios mais avançados da história bíblica”.[4]

Não há razão alguma para supor que Gênesis 1 seja diferente na sua utilização dos termos “primeiro”, “segundo”, “terceiro”...dia.  A palavra “dia” poder significar um tempo maior não diz que, obrigatoriamente devemos compreendê-la desta maneira em Gênesis 1. Devemos deixar que o contexto nos dissesse isso, e nada no contexto sugere-nos o entendimento não-literal.

Assim, a maneira mais simples de ler “dia” em Gênesis 1 é de “entendê-lo como um período de 24 horas. A responsabilidade de provar o ponto fica para aqueles que defendem uma utilização figurada aqui.

Se os dias em Gênesis 1 não são períodos normais de 24 horas, então como devemos compreendê-los? E, mais importante, o que no texto dará os limites para a nossa compreensão?” (McClister, 2004). Dessa forma, devemos entender os dias da criação em Genesis 1 como “não figurativos e não metafóricos, isto é, devem ser dias solares de 24 horas” (Hamilton, 2007)

Por fim, há uma grande correspondência entre a guarda do sétimo dia, e os demais dias da criação:

Lembra-te do dia do sábado, para santificá-lo. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou. - Ex 20:8-11

Para a analogia ser clara, os dias da criação precisam ser de 24 horas literais. Além disso, o sentido dado a “dias” em “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra”, é o mesmo sentido dado à “e ao sétimo dia descansou” e à “Mas o sétimo dia é o sábado”, e todos esses sentidos são claros: 24 horas.

Parecer do autor

 

Concluímos nos posicionando a favor da posição dos dias de 24 horas literais, por entendermos que os argumentos a favor dessa visão se apresentaram mais convincentes e mais lógicos biblicamente.

Quando lemos a palavra de Deus, percebemos que as Escrituras afirmam que a palavra criadora de Deus gerava resultado imediato. Quando a Bíblia fala da palavra criadora de Deus, enfatiza o poder dessa palavra e sua capacidade de realizar o seu propósito. Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles. [...] Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir (Sl 33.6, 9). Esse tipo de declaração parece incompatível com a ideia de que Deus falou e, após milhões de anos e milhões de mutações aleatórias nas coisas vivas, seu poder finalmente produziu o resultado que ele demandava. Antes, assim que Deus ordena “Produza a terra relva. E assim se fez” (Gn 1.11).

Concluímos afirmando que cremos que os argumentos a favor do dia de 24 horas literais, são mais fieis às escrituras, bem como os que melhor se ajustam ao entendimento bíblico levando em consideração os receptores primários. Mas entendemos que essa questão não se constitui em um teste de ortodoxia, ou que essa questão tem o mesmo peso das levantadas nos credos apostólicos, niceno ou niceno-constantinopolitano.

 

 


Bibliografia

 

Agostinho. (2018). A Cidade de Deus. São Paulo: Vozes.

Archer, G. L. (1979). Merece Confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Vida Nova.

Champlin, R. N. (2014). Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. Rio de Janeiro: Hagnos.

Erickson, M. J. (2015). Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova.

Franklin Ferreira e Allan Myatt. (2007). Teologia sistemática : uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova.

Geisler, N. (2002). Enciclopedia De Apologetica. São Paulo: Vida.

Grudem, W. (1999). Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova.

Hamilton, V. P. (2007). Manual do Pentateuco. Rio de Janeiro: CPAD.

Luther, M. (1991). A Practical In-Home Anthology for the Active Christian. St Louis: Concordia Publishing House.

MacArthur, J. (2019). Criação e evolução; a luta pela verdade sobre o princípio do universo. São Paulo: Vida Nova.

McClister, D. (13 de Março de 2004). Os dias de Gênesis 1. estudosdabiblia.

Newman, R. (2012). Genesis one and the origin of the earth. Interdisciplinary Biblical Research Institute.

Waltke, B. K. (2003). Comentário de Gênesis. São Paulo: Editora Cultura Cristã.

Waltker, B. K. (2015). Teologia do Antigo Testamento: uma abordagem exegética, canônica e temática. São Paulo: Vida Nova.

 

 



[1] Geneva study Bible (Nashville: Nelson, 1995), p. 7.

[2] Retirado do site: https://www.gotquestions.org/old-earth-creationism.html

[3] Hasel, G., The ‘days’ of Creation in Genesis 1 – Retirado do Site: answersingenesis.org/seis dias ou bilhões de anos

[4] Tirado de https://answersingenesis.org/pt/respostas/24-horas-simples-como-o-dia/

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