Imperativo Confessional, de Carl Trueman - Resenha
Resenha do
Livro Imperativo Confessional, de Carl Trueman
Leandro
Monte Alves
Acadêmico
de Teologia
Escola
Teológica Charles Spurgeon
Há enorme valor e muita utilidade
nos credos e nas confissões, sendo esses, resumos e declarações do ensino
bíblico crido e professado por uma denominação, isso é provado de maneiro
brilhante no livro Imperativo Confessional, de Carl Trueman, teólogo cristão e historiador
eclesiástico. Ele foi Professor de Teologia Histórica e História da Igreja no
Seminário Teológico de Westminster, onde ocupou a Cátedra Paul Woolley de
História da Igreja.
O Livro Imperativo Confessional mostra-se extremamente
oportuno, visto vivermos tempos em que o isolamento, superficialidade e
confusão doutrinária são gritantes. O autor mostra como é insustentável a frase
“nenhum credo além da Bíblia” de muitos cristãos, visto que, mesmo essa
declaração é vista como um artigo credal. Dr. Trueman defende o uso de credos e
confissões que “sumarizam e protegem o ensino da Escritura sem suplementar ou
diminuir sua autoridade.”
Mesmo não de forma aberta, toda
igreja possui sua declaração de fé e seus padrões doutrinários que permeiam as
mensagens ali pregadas, de forma que o ministro local segue uma linha
doutrinária estabelecida. O mesmo não pregará um sermão contrário a outro a
cada domingo. A igreja estranhará caso alguém pregue algo que difira do que é
ensinado ali dominicalmente.
O autor apresenta três
pressuposições básicas que precisam ser verdadeiras para que a defesa dos
padrões subordinados seja sólida: “1. O passado é importante e tem assuntos
de relevância positiva para nos ensinar; 2. A linguagem deve ser um veículo
adequado para a transmissão estável da verdade através do tempo e do espaço
geográfico, e, 3. Deve haver um corpo ou uma instituição que possa redigir e
aplicar com autoridade os credos e as confissões.”
Muitos consideram tais pressupostos
como antiquados para nossa cultura, o que de fato
é, tendo em vista vivermos numa época em que o passado é desvalorizado, onde a
natureza humana, como ser e essência, perdeu seu significado, e onde qualquer
forma de autoridade (pelo menos as institucionais) são vistas com maus olhos.
No entanto, não podemos nunca perder de vista que a cultura ou as
sensibilidades do mundo caído não podem nos desviar da vontade divina. Não
devemos nos deixar guiar pelas tendencias seculares que contrariam a palavra de
Deus.
De acordo com Carl Trueman, as “palavras”
possuem uma função muito importante na economia divina de criação e salvação,
segundo o autor “o discurso de Deus é especial; é criativo; define seu
relacionamento com a criação; define quem suas criaturas são; estabelece a
natureza de seu relacionamento especial com povos e indivíduos; é o instrumento
pelo qual ele exercita e remove seu poder; é talvez a forma mais significativa
de sua presença”, de tal forma que “as palavras são a forma divina de se fazer
presente com o povo e de atuar em seu meio, elas também são o meio humano de
responder a Deus e de os homens se comunicarem entre si a respeito dele”. A
Deus aprouve tornar-se conhecido pelas Sagradas Letras.
O autor apresenta uma brilhante
argumentação no sentido de considerar o uso dos Padrões de fé subordinados como
ordenados biblicamente. Para o autor, tal uso não se apresenta indicado apenas
pela tradição eclesiástica ou por conselhos de homens sábios, mas, além disso,
a própria bíblia indica que os padrões subordinados devem ser utilizados pela
Igreja de Cristo. No próprio texto sagrado é possível vermos pequenos Credos
e/ou Confissões como: “Jesus é o Senhor”
O autor apresenta muitas vantagens
para o incentivo e uso dos padrões subordinados.
Em primeiro lugar, por seu
subordinado à palavra de Deus, isto é, por ser expressão de um pensar bíblico e
teologicamente, os cânones de fé promovem o crescimento da igreja no
conhecimento dos desígnios de Deus. Muitas vezes, as pregações tocam assuntos
de pouca importância espiritual comparadas as verdades expressas nos Credos e
Confissões, verdades essas que se constituem no núcleo mesmo da fé.
Uma segunda vantagem no uso dos
padrões subordinados, decorre do fato da Adoração está diretamente ligada ao
Conhecimento do Ser, objeto de louvor. Para um elogio ser relevante para
alguém, o mesmo (elogio) precisa está fundamentado e objetivando fatos que
correspondam a realidade.
Disso, adorar a Deus, sincera e
esforçadamente, como um Deus impessoal, que sofre mudanças e que não possui
todo o poder, se mostrará mais como uma blasfêmia que com uma doxologia. Assim,
a adoração e louvor a Deus precisa está baseado em sua Palavra, e os Credos e
as Confissões de fé apresentam-se como instrumentos de extrema utilidade para o
direcionamento saudável da igreja nos atos litúrgicos de louvor.
Por fim, em terceiro lugar, o uso
dos Credos e as Confissões de fé são distintivos confessionais e
denominacionais. Apresentam-se como documentos de identidades de cada igreja
local, deixando a mostra suas crenças e doutrinas, assim, tornam-se como
dispositivos que conferem sinceridade doutrinária diante dos visitantes,
membros e demais igrejas.
Além
desses pontos, os padrões subordinados são “necessários para manter a unidade
corporativa, ajudam a definir uma igreja em relação à outra, representam a
competência doutrinária máxima que se pode esperar de uma congregação, refletem
a autoridade ministerial da igreja, permitem a separação necessária entre
membros e oficiais e delimitam o poder da igreja”, além disso, por meio dos Credos e as
Confissões de fé, a igreja local é identificada com toda a rica tradição da
igreja ao longo dos séculos.
Fortaleza
15 de março de 2022
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